Meu nome é ANIZIO PEREIRA
Era pra ser ZÉ NINGUÉM
Vim da miséria e pobreza
Na luta fui mais além
Órfão de mãe aos dois anos
E filho de pai alcoólatra
Pra frente só desenganos
De dor, de perda e de danos
Com filáucia eu me lancei
E dali em diante lutei
Buscando com garra e vontade
A tal da dignidade
Rebelde fui que eu sei
Do alimento me revoltei
Não era nem sopa e mingau
Era só água, fubá e sal
A surra foi violenta
De alma e o corpo sangrar
Única vez que do barco
Pensei um dia pular
Um canto ecoou de repente
De um passarinho contente
E naquele momento letal
Me afastou do golpe fatal
Então abaixei a ponta
Da faca da minha barriga
E desse dia em diante
Resolvi ser bom de briga
Revoltado eu combatia
A miséria em que vivia
Mas também não aceitava
Os atos de covardia
Sou menino sonhador
Com a promessa de na vida
Cobrar os pratos de comida
Que na nossa mesa faltou
Como Anjo Pixaim do amor
Que não roubou e nem matou
Não feriu e nem machucou
Sobrevivi ao DESAMOR
Por nunca ter dito mãe
Não aprendi dizer eu te amo
E não tive a primeira lição
Que nasce do coração
E assim eu caminhei
Ferido e o corpo marcado
Suportando humilhações
E o coração dilacerado
Mas no passado olhei
As lutas que enfrentei
A promessa ao menino eu vi
Que na vida eu nunca o traí
Hoje não sou ZÉ NINGUÉM
E mesmo não tendo a dianteira
Digo orgulhoso meu nome
Me chamo ANIZIO PEREIRA